Um novo modelo
Ford.
Um carro que ostentava o nome de uma raça de cavalo. Sem mais nenhuma
semelhança com o irmão maior
Mustang, o
Corcel nasceu
como um contraponto ao grandalhão e luxuoso
Galaxie 500,
ou seja, chegou ao mercado nacional para ganhar espaço entre os modelos
mais acessíveis da época. O novo
Ford foi apresentado
ao público durante o VI Salão do Automóvel de São Paulo, em 1968, com
carroceria de quatro portas e motor de quatro cilindros com válvulas no
cabeçote, 1.289 cc de cilindrada e 62 cavalos de potência. A edição de
Autoesporte
da época lembrava que o modelo, anteriormente conhecido como Projeto
“M” da
Willys (marca adquirida no Brasil pela
Ford),
era “o primeiro veículo a ser projetado e construído no Brasil, tendo
em vista as condições peculiares de clima, estradas e distâncias”.
Dentro desse espírito, o novato
Corcel
contava com algumas inovações bem interessantes. Alimentado pelo
carburador Solex 32, seu sistema de arrefecimento era inédito no País.
“A grande novidade para os brasileiros está na refrigeração do motor,
que emprega o sistema de radiador selado e termostato, com o que o
usuário não precisa verificar o radiador de água, pelo menos durante 30
000 km, de acordo com informações de fábrica. Este sistema já é usado
com grande sucesso em diversos modelos de carros europeus.” A avaliação
de
Autoesporte também destacou as qualidades da tração
dianteira, que era construída segundo os mais adiantados princípios, que
evitavam trepidações e o aumento de resistência da direção. “A tração
dianteira do
Corcel é suave e, ao motorista menos
avisado, tal detalhe passará totalmente despercebido.”
Ponto também
para os freios do modelo. Equipado com sistema a tambor nas quatro
rodas, o Corcel tinha o freios dianteiros a disco como
opcional para a versão standard e de série para sua versão luxuosa. A
suspensão, independente na dianteira e com eixo rígido na traseira, era
bem suave. “Sente-se ao dirigir o mesmo que, apesar de se tratar de
carro médio, aparenta ser um veículo de categoria acima, tal o conforto
que oferece. Tudo parecia muito bom, mas o modelo apresentou problemas
no eixo dianteiro – no alinhamento do sistema de direção – e, assim,
ficou marcado como o primeiro veículo a ser produzido no Brasil a passar
por um recall, que envolveu 65 mil proprietários.
De qualquer forma, o Corcel também se destacava pelo
interior amplo e de bom gosto, apesar da simplicidade. O desempenho não
era nada surpreendente, é verdade, mas também não chegava a decepcionar.
“O Ford Corcel mostrou um índice bastante razoável de
aceleração, ficando pouco a dever aos importados de sua categoria.” Na
avaliação de Autoesporte, tendo como base seu próprio
velocímetro, o modelo alcançou 138 km/h de velocidade máxima e acelerou
de 0 a 100 km/h em 22 segundos. Por outro lado, a estabilidade do sedã
mereceu elogios de sobra.
Bem recebido pelo
público, o modelo foi se firmando como o Ford mais
vendido de sua época. A aceitação do Corcel cresceu com
a chegada da versão cupê em 1969. A linha foi completada pelo
lançamento da perua Belina, em 1970. Outro salto de qualidade na família
se deu em 1971, ano em que a Ford lançou a versão
esportiva GT. Requintado, o arrojado Corcel tinha
a carroceria enfeitada por faixas laterais de cor preta, além de
revestimento de vinil na capota, rodas com desenho diferenciado, faróis
de milha e outros detalhes pintados de preto, como o capô com tomada de
ar, a grade dianteira e a carcaça dos retrovisores. Ainda melhor, o Corcel
GT XP, lançado para oferecer um desempenho melhor, trazia
motor 1.4, com 85 cavalos de potência.
O novo motor passava a equipar
toda a linha a partir de 1973, quando a grade teve o desenho modificado.
As primeiras alterações de peso no desenho da linha Corcel
foram feitas em 75, com reestilização da dianteira e da traseira, além
da parte interna. No mesmo ano a Ford lançava a
requintada versão LDO. O primeiro Ford nacional para as
massas durou até o final de 1977, quando então foi lançado o Corcel
II, com desenho muito mais moderno e atraente. Com uma série
de modificações ao longo de sua produção, o novo modelo resistiu até
julho de 1986.
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Fonte: Auto Esporte